Darwin e Deus

Um blog sobre teoria da evolução, ciência, religião e a terra de ninguém entre elas

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Blog aborda os mais recentes estudos sobre a evolução do homem e dos demais seres vivos, explica o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da fé e a história das religiões. É produzido pelo jornalista Reinaldo José Lopes.

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Wilson e a religião

Por Reinaldo José Lopes

No começo desta semana, dei uma sorte dos diabos e ganhei a oportunidade de entrevistar o americano Edward Osborne “E.O.” Wilson, 83, um dos meus heróis científicos. Foi por telefone — com a ligação caindo o tempo todo, diga-se de passagem — mas podia ter sido ao vivo. Só não fui até a cidade histórica de Lexington, Massachusetts, onde ele vive (e onde a guerra de independência americana começou em 1775) porque estava sem visto para entrar nos EUA e não daria pra tirá-lo em tempo hábil (loooser…).

Edward O. Wilson, véio gente fina

Pra quem não ouviu falar da figura, Wilson é provavelmente o sujeito vivo que melhor conhece as sociedades complexas de insetos, em especial as formigas, que são seu xodó. Também foi um pioneiro no uso da teoria da evolução pra entender o comportamento humano, fundando a chamada sociobiologia. E é uma voz poderosa em favor da conservação da biodiversidade, autor de textos de raro lirismo sobre o tema para o público em geral.

Os principais pontos da minha conversa com ele aparecem em reportagem no caderno “Ilustríssima” deste domingo (confira aqui: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1243711-cientista-de-harvard-ve-humanidade-mestica.shtml).

Mas nossa breve discussão sobre religião e ciência não coube (mesmo no latifúndio que é a “Ilustríssima”, nem tudo cabe), então resumo o papo aqui.

Perguntei a Wilson se ele não estava perdendo a paciência com a religião — em alguns de seus livros anteriores, ele soava mais conciliador. Resposta: “Meu problema com a religião é que existem incontáveis relatos da criação por aí. É impossível que todos estejam certos. E acho pernicioso quando as pessoas organizam suas vidas em torno de mitos de criação que simplesmente não refletem os fatos”.

Depois disso, porém, vêm as nuances. “Já a espiritualidade e a teologia são elementos importantes da natureza humana”, ressaltou Wilson. “Precisamos de ritos que marquem nascimento, casamento, morte e outras transições importantes de nossas vidas. Não tenho nada contra a prática religiosa, nem mesmo contra a crença religiosa, apenas contra a transformação dos mitos de criação em verdades absolutas.”

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