Darwin e Deus

Um blog sobre teoria da evolução, ciência, religião e a terra de ninguém entre elas

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Blog aborda os mais recentes estudos sobre a evolução do homem e dos demais seres vivos, explica o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da fé e a história das religiões. É produzido pelo jornalista Reinaldo José Lopes.

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Walter Neves no Oriente Médio

Por Reinaldo José Lopes

Walter Neves examina crânio: pessoalmente ele é ainda mais gatoNum post recente, falei um pouquinho da importância do atual território de Israel e das regiões vizinhas para tentar entender como o homem anatomicamente moderno deixou a África e começou a se espalhar pelo planeta, interagindo com outras espécies de humanos primitivos, como os neandertais. Pois bem: há pouco tempo, fiquei sabendo que um grupo de bioantropólogos e arqueólogos brasileiros vai fazer uma expedição ao Oriente Médio para tentar levantar nossos dados sobre a evolução da nossa espécie.

Um dos integrantes da expedição é o bioantropólogo Walter Alves Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP, famoso por ter alçado ao estrelato o esqueleto de Luzia, o ser humano mais antigo do continente americano, com 11,5 mil anos de idade e lá vai fumaça. Neves é um dos principais especialistas do mundo no povoamento das Américas. Ele vai para a Jordânia em companhia de Astolfo Araujo, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, e de Fabio Parenti, do Instituto Italiano de Paleontologia Humana.

“Vamos prospectar o vale do rio Zarqa entre o dia 30 deste mês e o dia 15 de outubro”, contou-me Neves por telefone. O Zarqa é mais conhecido entre nós pelo seu nome bíblico, Jaboc — foi por lá que, segundo a tradição, o patriarca hebreu Jacó teria lutado com um anjo.

“Nós estamos interessados em dois momentos. A gente sabe que, por volta de 1,7 milhão de anos, hominídeos aparentados ao Homo erectus africano já estavam na Geórgia, e para chegar lá está claro que eles precisavam ter passado pelo Oriente Médio. Há datações em Israel com 1,4 milhão de anos de idade. E a outra ponta é a relação entre neandertais e Homo sapiens na região”, explica ele. Ninguém ainda sabe se houve mesmo contato direto entre as espécies na área entre 100 mil e 60 mil anos atrás e, caso tenha havido, de que natureza ele foi.

Que não faltem caveiras no caminho dos intrépidos brazucas!

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