Darwin e Deus

Um blog sobre teoria da evolução, ciência, religião e a terra de ninguém entre elas

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Blog aborda os mais recentes estudos sobre a evolução do homem e dos demais seres vivos, explica o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da fé e a história das religiões. É produzido pelo jornalista Reinaldo José Lopes.

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Elos perdidos, parte 5: ‘Amphistium’

Por Reinaldo José Lopes

Já comi linguado, mas infelizmente nunca tive a oportunidade de ver em vida uma das adaptações mais estranhas e simpáticas da natureza: os olhinhos desse peixe encavalados no mesmo lado da cabeça dele. Até essa adaptação bizarra tem uma história, no entanto, como comprova o bicho abaixo, o Amphistium paradoxum.

Do tempo em que o linguado não era tortinho

Com cerca de 50 milhões de anos, o fóssil vem da Itália e foi descrito em artigo na revista científica “Nature” em 2008. O que os pesquisadores viram é que um dos olhos do bicho adulto ficava localizado perto do topo da cabeça dele, numa posição exatamente “no meio do caminho” entre a vista nos linguados modernos e a que se vê entre seus parentes menos bizarros.

É claro que essa não é a única evidência de que os linguados certo dia foram mais normalzinhos. Estudos de embriologia mostram que os linguadinhos nascem com olhos dispostos normalmente, e um deles migra até sua posição adulta ao longo do desenvolvimento. Nesse meio-tempo, os pobres peixinhos ficam bem perdidos até se adaptarem à bizarrice ocular.

Eis como fica um dos bichos atuais na fase adulta.

Que olhar 43, hein?

 

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