Dionísio, o Pequeno Injustiçado?

Por Reinaldo José Lopes

Recebo, via caixa de comentários, por meio do gentil leitor Beto Torres, um dado interessantíssimo sobre o monge Dionísio, o Pequeno (470-544), responsável por estabelecer o “ano 1″ do nosso calendário a partir do nascimento de Jesus e frequentemente submetido a uma verdadeira malhação do Judas (trocadilho proposital) por ter errado a data e colocado a vinda de Cristo ao mundo no mínimo quatro anos depois do que seria a data certa (leia mais a respeito num dos nossos posts natalinos). E se o pobre Dionísio (aliás, São Dionísio, ao menos segundo a Igreja Ortodoxa Romena) não tivesse culpa no cartório pelo erro de cômputo?

É o que me diz o Beto:

“Estudando essas coisas para uma conferência para tentar datar o nascimento de Jesus pela estrela (narrativa na qual não acredito) deparei com as verdadeira razão da datação de Dionísio Exíguo. Provavelmente por ser impossível para ele tentar fazer uma datação histórica, preferiu uma outra solução. O concílio de Niceia [um dos mais importantes do primeiro século do cristianismo] tinha definido a data da Páscoa. Logo descobriram que havia um ciclo lunar de 19 anos na data da Páscoa (o que significava que Jesus não pode ter comemorado a Páscoa na datação de Niceia). O cálculo implícito para datar a Páscoa é muito complicado. Então, para facilitar, Dionísio coloca o nascimento de Jesus em um número inteiro de ciclos (17). Ou seja, é apenas uma maneira de facilitar o cálculo da Páscoa, não uma tentativa de datar exatamente o nascimento de Jesus.”

A fonte, segundo ele, é o suplemento do periódico “The American Ephemeris and Nautical Almanac”, publicação dedicada a astrônomos e navegadores. Quem sabe, então, seja a hora de limpar o nome do véio Dionísio.