Sagan rulez

Por Reinaldo José Lopes

Crianças, hoje o tio Carl tem duas coisinhas para falar pra vocês.

Primeira coisa:

“O fato de que riram de alguns gênios não quer dizer de maneira alguma de que todas as pessoas de quem os outros riem são gênios. As pessoas riram de Colombo, riram de Fulton, riram dos irmãos Wright. Mas também riram do Bozo.”

Segunda coisa:

“Eu sei que a ciência e a tecnologia não são só cornucópias despejando coisas boas sobre o mundo. Os cientistas não só conceberam as armas nucleares como também agarraram líderes políticos pela lapela, argumentando que a nação deles — qualquer que fosse ela — tinha de ser a primeira a obter essas armas. Há uma razão pela qual as pessoas ficam nervosas em relação à ciência e à tecnologia. E, assim, a imagem do cientista louco persegue o nosso mundo – do Dr. Fausto ao Dr. Frankenstein e ao Dr. Strangelove, chegando aos doidos de jaleco branco dos desenhos animados. (É o tipo da coisa que não inspira muito futuros jovens cientistas.) Mas não dá para voltar atrás. Não podemos simplesmente concluir que a ciência coloca poder demais nas mãos de tecnólogos moralmente débeis ou políticos corruptos e loucos por poder e decidir que vamos nos livrar dela. Avanços da medicina e da agricultura salvaram mais vidas do que as que foram perdidas em todas as guerras da história. Avanços nos transportes, na comunicação e no entretenimento transformaram o mundo. A espada da ciência tem dois gumes. Na verdade, o poder avassalador da ciência exige que todos nós, inclusive os políticos, assumamos uma nova responsabilidade — mais atenção às consequências de longo prazo da tecnologia, uma perspectiva global e que transcenda gerações, um incentivo para evitar apelos fáceis ao nacionalismo e ao chauvinismo. Os erros estão se tornando caros demais.”

Obrigado, tio Carl Sagan.

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