Por amor à vida

Por Reinaldo José Lopes

Compartilhando o que diz um dos meus heróis, Edward O. Wilson, em seu “O Futuro da Vida”:

“Suponha, só para efeito de discussão, que seremos capazes de criar novas espécies e construir ecossistemas estáveis a partir delas. Com esse potencial distante em mente, deveríamos ir em frente e, em nome do lucro de curto prazo, permitir que as espécies e os ecossistemas originais da Terra desapareçam? Sim? Apagar a história vivente da Terra? Que então queimemos também as bibliotecas e as galerias de arte, façamos carvão com os instrumentos musicais, reciclemos o papel das partituras, apaguemos Shakespeare, Beethoven e Goethe, e os Beatles também, porque tudo isso — ou ao menos substitutos bastante passáveis — também pode ser recriado.

A questão, como todas as grandes decisões, é moral. A ciência e a tecnologia são o que nós somos capazes de fazer. A ética a partir da qual construímos as decisões morais é uma norma ou padrão de comportamento que surgiu em apoio a valores, e valores, por sua vez, dependem de um propósito. E o propósito, seja pessoal ou global, nascido da consciência ou gravado em escritura sagrada, expressa a imagem que temos de nós mesmos e de nossa sociedade.”

O conhecimento científico precioso trazido pela teoria da evolução aponta — aliás, aponta não, grita no nosso ouvido — para a unidade das formas de vida. O que vamos fazer ou deixar de fazer com ele, no entanto, é uma questão de ética, valores e senso de propósito que a ciência, sozinha, jamais será capaz de resolver.

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