Leitor comenta, a gente publica

Por Reinaldo José Lopes

O leitor Carlos Henrique Consoni me avisou por e-mail que não estava conseguindo publicar seu comentário extenso sobre o post recente do povoamento da América na íntegra por aqui. Sem problemas, Carlos, a gente publica! Eis aí, gente bonita.

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Não esqueçamos do caso da conquista da Melanésia e Polinésia. Ao que parece, a origem destes povos se situa em Formosa, de um grupo de aborígenes, que, possivelmente, chegaram à antiga Indonésia e de lá, partiram em rumos opostos, a maioria para Austrália e outros para o norte, chegando à Formosa. Tem que atentar que há 40.000 anos, o nível do mar estava a 120 m abaixo do atual e a conformação das terras era diferente. Este grupo, provavelmente forçado pela chegada dos chineses do continente há 8.000/6.000 anos, se viu obrigado a deslocar para o sul, e em seguida, para o leste, ocorrendo a miscigenação com os povos – sabemos que os povos da Polinésia tem genes do povo que habita a atual Vietnã. Há indícios de que um grupo de polinésios chegaram ao Chile – também há indícios de que uma espécie de galinha que habita esta região do Chile tem genes da mesma galinha que migrou com os polinésios.

Caso semelhante pode ter ocorrido, bem antes da chegada do grupo (o segundo?) da Sibéria que habita boa parte da América do Norte e Central. A questão é saber como poderiam ter chegado algum grupo de aborígenes, na América? Pelo Pacifico, bem antes dos atuais povos da Melanésia e Polinésia? Ou pelo Atlântico? Há 40.000 anos, a parte central do Atlântico poderia ter bastante ilhas rasas ou sargaços em abundância, pela pouca profundidade que teria… mas é difícil de comprovar isto. Talvez a hipótese mais provável é que algum grupo de aborígenes tenha chegado às proximidade da Beríngia, havendo algum acasalamento. Isto poderia explicar as características da Luzia e Naia.

Não esqueçamos, também de que a raça branca [na verdade todos os não africanos] tem cerca de 4% dos genes dos Neandertais… por causa da miscigenação… então a hipótese de um grupo de aborígenes ter chegado perto da Beríngia seria viável. Então, se eles chegaram até a Formosa, poderiam ter ido mais para o norte, sem dificuldades, pelas ilhas que formam a atual arquipélago Ryukyu e Japão ou pelas costas do Mar Amarelo. Isso poderia explicar porque alguns dos povos siberianos tem o nariz similar aos dos negros.

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Um update: logo depois, o Carlos me contou por e-mail um pouco de sua história de vida, e me permitiu compartilhá-la aqui também.

“Seria bom uma boa apresentação. Explico o motivo. Sou deficiente auditivo, com perda total desde a nascença, e com perda progressiva da visão. Trata-se uma síndrome, a de Usher, que envolve retinose pigmentar. Mas, graças aos meus pais e parentes, me formei como engenheiro civil e analista de sistemas, atualmente aposentado. E julgo que seria uma boa oportunidade para deixar uma boa impressão, principalmente entre os deficientes auditivos, para que eles próprios vejam que não é problema tentar divulgar as ideias, desde que tenham uma base. E sou leigo, mas um apaixonado pela história da humanidade – confesso que nunca teria tais conhecimentos se não fosse a internet e a espantosa evolução na área de genética… E muito obrigado, de novo.”

A gente é que te agradece, Carlos!

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