Gênesis ambiental

Por Reinaldo José Lopes

Em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, um post/dica rapidinho porém bonitinho, caríssimos.

Além de sugerir humildemente a leitura da minha reportagem de hoje no caderno especial desta Folha sobre o tema, versando basicamente sobre a expansão das energias eólica e solar por aqui, gostaria de recomendar também outra leitura bacana, que descobri visitando — como faço de costume — o ótimo blog Observatório Bíblico, do mineiro Airton José da Silva, professor de Bíblia Hebraica/Antigo Testamento na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto (cidade que, como vocês sabem, faz parte da Grande São Carlos).

No blog, o professor resolveu divulgar a monografia de conclusão do curso de teologia de seu aluno Sebastião de Magalhães Viana Júnior, cujo título é “Proposta de uma leitura ecológica do relato sacerdotal da Criação (Gn 1,1-2,4a)” (dá para baixar o trabalho de graça, em formato PDF, clicando aqui). Trocando em miúdos: trata-se uma tentativa de interpretar a narrativa do primeiro capítulo do primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, com consciência ambiental.

Vale a pena acompanhar o raciocínio do autor lendo o trabalho original, mas o texto também é bastante útil como um rápido “curso básico” das interpretações modernas do Gênesis. Para citar alguns pontos:

– O fato de que temos DUAS, e não uma só narrativa da criação do mundo e do homem no primeiro livro da Bíblia;

– Outro dado, surpreendente, é o de que o primeiro capítulo do Antigo Testamento foi provavelmente um dos últimos a ser escrito pelos antigos israelitas;

– A maneira como, de fato, o povo de Israel foi fortemente influenciado pelos mitos de criação pagãos, mas usou seu texto sagrado para “subvertê-los”, dando uma interpretação radicalmente nova a histórias que circulavam no Oriente Médio há milênios.

Boa leitura pra todo mundo!

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