O que há num nome?

Por Reinaldo José Lopes

Sabe aquele papo de Shakespeare — “será que uma rosa, se tivesse outro nome, seria tão cheirosa”? Bem, estava eu lendo o novo livro do biólogo americano Edward O. Wilson, nada modestamente batizado de “The Meaning of Human Existence” (“O Significado da Existência Humana”), quando me deparei com uma passagem que colocou em questão novamente a frase shakespeareana.

Wilson está falando de como surgiu e se popularizou a teoria da seleção de parentesco — aquela que, grosso modo, diz que o nível de cooperação entre organismos vivos costuma estar relacionado ao grau de parentesco entre eles (do tipo: temos mais disposição para fazer sacrifícios por filhos do que por primos de terceiro grau). E aí vem a frase marota:

“Em 1976, o eloquente jornalista de ciência Richard Dawkins explicou a ideia ao público em geral em seu best-seller ‘O Gene Egoísta’. Pouco depois, a seleção de parentesco, junto com alguma versão da aptidão inclusiva, estava firmemente instalada em livros didáticos e artigos populares sobre evolução.”

Ai. Jornalista de ciência? Não que eu ache a expressão um xingamento — não me odeio tanto assim –, mas Dawkins é zoólogo. É um grande divulgador de ciência, e seus livros para o público em geral são tão ou mais influentes que seu trabalho acadêmico, mas designar o cara assim tem um indisfarçável sabor de “beijinho no ombro” — até porque sabemos que Wilson e ele andaram trocando farpas em público justamente por causa do tema da seleção de parentesco. Para saber mais sobre a treta, confira esta reportagem que fiz para a Ilustríssima.

Resumo da ópera: esse Wilson é cruel com “as inimiga”.

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