A vida após a morte do pai do hobbit

Por Reinaldo José Lopes

Não, não é o “pai” deste hobbit:

Bilbo Baggins, ou Martin Freeman, o hobbit que você certamente conhece. (Crédito: Divulgação)
Bilbo Baggins, ou Martin Freeman, o hobbit que você certamente conhece. (Crédito: Divulgação)

É o “pai” deste hobbit:

Reconstrução artística do "Homo floresiensis", apelidado de "hobbit". (Crédito: Divulgação)
Reconstrução artística do “Homo floresiensis”, apelidado de “hobbit”. (Crédito: Divulgação)

Ou Homo floresiensis, para os íntimos. Ou seja, estamos falando do hominídeo nanico que pode ter sobrevivido até uns 13 mil anos atrás na ilha de Flores, na Indonésia.

Medindo apenas cerca de 1 m, tal e qual os hobbits de “O Senhor dos Anéis”, a criaturinha foi descoberta no começo da década passada por uma equipe liderada pelo neozelandês naturalizado australiano Mike Morwood, da Universidade de Wollongong, que morreu em julho do ano passado, aos 62 anos, de câncer — após perder uma filha de dez anos de idade por conta da mesma doença, diga-se de passagem.

Criador e criatura: Mike Morwood com o crânio de seu "hobbit"
Criador e criatura: Mike Morwood com o crânio de seu “hobbit”

Foi uma grata surpresa, portanto, ver uma pesquisa importante sobre arte rupestre pré-história na Indonésia, que está na revista científica “Nature” desta semana, ser assinada também por Morwood. Nenhuma homenagem especial no texto, só uma discreta nota de pé de página (OK, eu sei que isso é um pleonasmo) dizendo “falecido”. (Aliás, leiam mais a respeito em breve nesta Folha.)

Aliás, saber que um autor morto há mais de um ano está assinando artigo na “Nature” nos dá uma visão não muito animadora sobre o tempo que os artigos científicos demoram para ser aceitos e publicados em revistas de impacto hoje em dia. Enfim…

Vida e pós-vida longa aos hobbits, gente bonita.

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