Euclides contra Mussolini

Por Reinaldo José Lopes
O matemático judeu italiano Vito Volterra (Crédito: Reprodução)
O matemático judeu italiano Vito Volterra (Crédito: Reprodução)

Mais uma da série “frases para começar bem a semana”. Do matemático italiano Vito Volterra (1860-1940), num cartão postal escrito nos anos 1930:

“Morrem os impérios, mas os teoremas de Euclides conservam sua eterna juventude”.

Volterra era judeu. Viveu sob o regime fascista de Mussolini, principal aliado da odiosa Alemanha nazista, obviamente um péssimo lugar para um filho de Abraão. Professor da Universidade de Turim, ele foi convocado a assinar um juramento de lealdade ao fascismo, junto com outros 1.250 professores universitários italianos, em 1931, e foi um dos únicos 12 — é isso aí, DOZE — a se recusar.

Virou persona non grata, óbvio. Mas, em compensação, foi eleito membro da Pontifícia Academia de Ciências — é isso mesmo, a academia de ciências do Vaticano, e a pedido do próprio papa Pio 11. E foi a academia que organizou o funeral de Volterra. Para sua sorte, ele morreu antes de ver o pior da Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista da Itália.

Este é um post em “homenagem” aos canalhas antissemitas que andaram querendo deixar comentários por aqui. Se vocês acham que eu vou deixar vocês espalharem seu estrume por aqui em nome da liberdade de expressão, estão muito enganados.

Que nos sirva a todos de lição. Tiranos gostariam, e muito, de torcer as leis que regem o funcionamento do mundo a seu bel-prazer. Ao menos essas leis, no entanto, estão fora do alcance deles. Permanecem indômitas. Aprendamos delas.

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