Paciência de Jó

Por Reinaldo José Lopes
XIR84999 Job (oil on canvas) by Bonnat, Leon Joseph Florentin (1833-1922) oil on canvas Musee Bonnat, Bayonne, France Lauros / Giraudon French, out of copyright
Jó retratado pelo pintor francês Léon Bonnat. Crédito: Reprodução

Quem costuma fazer análises literárias e/ou teológicas sofisticadas da Bíblia costuma ser fã de carteirinha do Livro de Jó. Essa obra do Antigo Testamento, que contém uma misteriosa aposta entre Deus e Satanás, o sofrimento do inocente personagem-título e uma poesia complexa e difícil de traduzir, é um dos triunfos do gênio literário israelita. Mas, como acontece com outros livros bíblicos, ela também tem antecedentes na literatura mais antiga do Oriente Próximo.

É o caso, por exemplo, de “Um Homem e Seu Deus”, texto sumério da primeira metade do segundo milênio antes de Cristo (ou seja, escrito entre 2000 a.C. e 1500 a.C.). Temos aí a história de um homem justo que sofre com várias doenças e é maltratado pelas outras pessoas (mais ou menos como os amigos sabichões de Jó na Bíblia). Após pedir o auxílio de seu deus, ele recupera a saúde.

Na Babilônia, entre 1400 a.C. e 1200 a.C., um autor anônimo escreveu “O Poema do Justo Sofredor” (também conhecido como “Louvarei o Senhor da Sabedoria”), no qual, por motivos desconhecidos, um nobre perde suas posses, seu título e sua saúde. Tudo culpa de Marduk, o chefão dos deuses babilônicos, o qual, no fim das contas, devolve ao coitado tudo o que havia perdido.

Finalmente, temos a chamada “Teodiceia Babilônica” (“teodiceia” é o termo técnico usado para designar as explicações teológicas para a existência do mal no mundo). A obra é um diálogo entre, adivinhe só, um sujeito que está sofrendo e um amigo dele, no qual o sofredor questiona a justiça divina e pede que os deuses tenham misericórdia dele.

As informações são do livro “The Meaning of the Bible”, de Douglas Knight e Amy-Jill Levine.

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