Sangue para os deuses

Por Reinaldo José Lopes

A cultura Moche, do norte do atual Peru, floresceu entre os anos 100 d.C. e 800 d.C., mais ou menos, e deixou alguns dos sítios arqueológicos e obras de arte mais sensacionais da América antes de Colombo (e também alguns exemplares de arte erótica, que não vou reproduzir aqui porque este é um blog de família, gente).

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Os restos da Huaca de La Luna, no Peru, com o Cerro Blanco ao fundo (Crédito: Creative Commons)

Essa civilização, infelizmente, também parece ter praticado sacrifícios humanos em larga escala, e com requintes de crueldade. Num único pátio da Huaca de La Luna, um dos principais centros religiosos da cultura Moche, arqueólogos encontraram os restos de 75 esqueletos humanos. Nesses corpos, havia múltiplos sinais de violência: ferimentos de faca nas têmporas, crânios esmagados por tacapes, vértebras do pescoço com marcas de corte que indicam que as pobres vítimas teriam sido degoladas.

decapitadorA violência não terminou com a morte: após a execução, as vítimas tiveram suas mandíbulas arrancadas, e a pele e a carne da face foram arrancadas. Os corpos, depois de tudo isso, ficaram apodrecendo ao ar livre (os arqueólogos conseguem fazer essa inferência porque os esqueletos estavam cobertos com ovos de moscas, que botaram seus ovos nos cadáveres).

A iconografia Moche frequentemente traz uma figura misteriosa de aspecto agressivo, conhecida como Decapitador, que talvez fosse a divindade que recebia esses sacrifícios humanos.

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