Megapedregulhos espaciais no Rio

Por Reinaldo José Lopes

Quem não gosta de meteoritos bom sujeito não é, ouso dizer parafraseando Noel Rosa Dorival Caymmi. Pedregulhos, pedras e pedronas espaciais são fascinantes pelo papel que desempenharam na história do nosso planeta, seja pelo bombardeio tremendo desses bólidos quando a Terra ainda era um bebê planetário, seja pela associação de tais objetos com fenômenos de extinção em massa, como a que levou os dinossauros não avianos (ou seja, todos menos as aves, que também são dinossauros) para a cova no fim do Cretáceo, há 65 milhões de anos.

A boa notícia para fãs de petardos do espaço sideral é que o Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) está organizando uma mostra aparentemente muito bacana sobre o tema a partir do começo do mês que vem. Confiram os detalhes no comunicado abaixo. Aliás, tem coisa mais legal do que poder ver uma espada/adaga forjada com metal vindo do espaço, tal e qual a Excalibur das lendas arturianas? Vai ter lá, meu povo.

Como nota pessoal, devo dizer que qualquer visita ao Museu Nacional, com ou sem meteoritos, vale demais a pena — é um dos lugares do Rio que mais respiram história. #corrão!

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O Museu Nacional/UFRJ inaugura dia 3 de setembro (quinta), às 17 horas, a exposição METEORITOS – DA GÊNESE AO APOCALIPSE que irá mostrar a importância destes fragmentos extraterrestres desde o surgimento da vida na Terra até a algumas extinções, como a dos dinossauros. A exposição pretende estimular uma reflexão sobre nossas origens e ao que o futuro nos reserva. O evento coincide com a abertura do VI Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões que acontece também no museu localizado na Quinta da Boa Vista, no Bairro Imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

O meteorito Santa Luzia, uma das estrelas (cadentes) da mostra (Crédito: Divulgação)
O meteorito Santa Luzia, uma das estrelas (cadentes) da mostra (Crédito: Divulgação)

A exposição interativa terá peças da coleção do Museu Nacional/UFRJ, entre elas o meteorito Santa Luzia, onde o visitante poderá tocar e até mesmo sentar e, se quiser, tirar uma selfie. Mostrará, ainda, fragmentos do que possivelmente já foi solo de Marte, da Lua ou até do interior de asteroides, ensinará a identificar um meteorito de um “mentiorito” (objetos confundidos com meteoritos), além de apresentar conteúdos multimídias.

DA GÊNESE AO APOCALIPSE aborda diversos aspectos do tema meteoritos: o que são, como são, de onde vieram e de como eles influenciaram na formação do sistema solar, na origem da vida, nas grandes extinções como a dos dinossauros, na evolução do homem e até mesmo das possibilidades de ser o “Armagedom” descrito no apocalipse.

Outro destaque da exposição é a adoração de meteoritos como divindades e objetos sagrados, a exemplo da pedra de Kaaba dos muçulmanos, ou as divindades Cibele, dos gregos, e Elagabal, dos sírios, pedras que caíram do céu e foram posteriormente associadas aos deuses e por fim as datas comemorativas da igreja católica, Pascoa e Natal.

Uma adaga rara feita de meteorito também estará exposta. Na evolução da humanidade, o ferro meteorítico foi usado antes mesmo do domínio do ferro pela siderurgia (do latim sider = astro). Na antiguidade as melhores espadas eram feitas utilizando-se o ferro meteorítico.

Adaga feita com ferro literalmente do outro mundo, produzida na Indonésia (Crédito: Divulgação)
Adaga feita com ferro literalmente do outro mundo, produzida na Indonésia (Crédito: Divulgação)

No VI Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões o destaque é o pesquisador Klaus Keil, da Universidade do Havaí, um dos maiores cientistas planetários no estudo da meteorítica, que dará palestras também em Brasília, São Paulo, São José dos Campos, Salvador, Porto Alegre e Ouro Preto.

Mais sobre os destaques da mostra:

Meteorito Santa Luzia
Encontrado em 1927, na cidade de Santa Luzia, Goiás, é o segundo maior objeto espacial encontrado em todo território brasileiro. É composto por Ferro (92%), Níquel (6,6%), Fósforo (0,9%) e Cobalto (0,47%). O meteorito é peça pertencente ao acervo do Museu Nacional (RJ), que é referência em estudos de meteoritos. O Museu o adquiriu em 1928, mediante doação do município de Santa Luzia.

Adaga Keris
Kris ou keris são adagas típicas da Indonésia. São armas e objetos espirituais, pois se acredita que possam possuir poderes mágicos. Muitas mostram o padrão de aço damasco, constituídas por camadas de dois tipos de ferro: um rico em carbono e outro rico em níquel (meteorito). As lâminas kris são de alta qualidade: o metal é dobrado dezenas ou centenas de vezes e tratado com o máximo de precisão. Krises eram usadas em cerimônias especiais, sendo passadas por herança através de sucessivas gerações. Nas últimas três décadas perderam seu significado social e espiritual de destaque naquela sociedade. Esta em especial é feita com ferro meteorítico, mais brilhante e dútil, e ferro carbono, mais escuro e duro.

SERVIÇO
METEORITOS – DA GÊNESE AO APOCALIPSE (Exposição Permanente)
Abertura – 3 de setembro de 2015 – às 17 horas
Museu Nacional/UFRJ
Quinta da Boa Vista – Bairro Imperial de São Cristóvão – Rio de Janeiro
Aberto de terça a domingo das 10 às 17 horas, e segundas das 12 às 17 horas
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Gratuidade: crianças até 5 anos e portadores de necessidades especiais
Telefone: 21 3938-6900
www.museunacional.ufrj.br

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