Abelhas geniais

Por Reinaldo José Lopes

Quanto mais a gente aprende sobre as abelhinhas sem ferrão nativas do Brasil, mais maravilhado fica. Minha reportagem na edição de hoje desta Folha conta como pesquisadores da Embrapa descobriram que esses insetos praticam uma forma rudimentar de “agricultura de fungos” — algo normalmente associado apenas a certas formigas, como as saúvas. Mas isso é só a pontinha do iceberg, acredite.

Pequenas rainhas da espécie "fazendeira" se desenvolvendo em laboratório (Crédito: Cristiano Menezes/Divulgação)
Pequenas rainhas da espécie “fazendeira” se desenvolvendo em laboratório (Crédito: Cristiano Menezes/Divulgação)

Conforme me contou o principal autor da descoberta, o pesquisador Cristiano Menezes, algumas dessas abelhas também parecem ter desenvolvido a “pecuária”. É o caso da Schwarzula, uma espécie amazônica que abriga em seus ninhos certas cochonilhas (insetos que parecem ter “conchinhas”) que produzem tanto uma secreção doce como alimento para as abelhas quanto cera para a fabricação das câmaras da colmeia.

Há ainda abelhinhas sem ferrão que usam uma levedura para desidratar o pólen estocado por elas e, assim, despistar parasitas atraídos por essa “despensa”. Outras são “piratas”, cuja especialidade é roubar de outras espécies de abelhas. Algumas comem carne fresca (!!!) em vez de pólen; há, finalmente, as que produzem soluções ácidas capazes de queimar a pele de um ser humano.

Tanta variedade de comportamentos e biologia básica não é mera curiosidade — tais abelhinhas podem ser fonte de uma série de possíveis aplicações biotecnológicas. E, é claro, já são extremamente úteis como polinizadoras em lavouras como as de café, tomate e morango.

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