Foi mal, Homem-Aranha

Por Reinaldo José Lopes

A imagem aí de cima realmente fez meu coração se compadecer pelo pobre Homem-Aranha. Afinal, acabamos de descobrir que, para conseguir escalar paredes, ele precisaria ter 40% de seu corpo coberto com ganchinhos microscópicos. Ou seja, não ia rolar.

Obviamente, essa conclusão não foi financiada pela Marvel nem versava originalmente sobre o Amigão da Vizinhança dos quadrinhos e do cinema, mas realmente integra uma pesquisa científica — que, aliás, acaba de ser publicada. David Labonte e seus colegas da secular Universidade de Cambridge, do Reino Unido, fizeram um levantamento abrangente de como funcionam as patinhas adesivas das muitas espécies de animais que são capazes de escalar paredes ou ficar grudadas em galhos de árvores, por exemplo.

Ao fazer esse amplo trabalho comparativo, concluíram que a chave para a capacidade “grudativa” dos bichos é a relação entre massa corporal da criatura (o popular peso), de um lado, e a área de superfície do pedaço do animal usado para se grudar (em geral, estamos falando das patas, claro). Veja uma ilustração do que estou dizendo abaixo. A imagem do alto usa porcentagens para indicar quanto da área de superfície do corpo de cada bicho é necessária para torná-lo “grudável”.

bicharada
De pererecas a aranhas, passando por morcegos e besouros, as áreas que os bichos usam para se grudar às paredes (Crédito: Divulgação)

A questão é que, conforme o animal vai ficando maior, a área de superfície precisa crescer numa proporção ainda mais elevada para dar conta de grudá-lo à parede. Ou seja, em criaturas tão grandes quanto nós, a conta não fecha — ou, no mínimo, o pobre Homem-Aranha teria de ficar arrastando a barriga pelas paredes dos prédios de Nova York para não despencar. Não me parece muito heroico.

O estudo está na revista científica “PNAS”.

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