Omeletão

Por Reinaldo José Lopes

Imagine o omelete que dava pra fazer com o ovo da ave acima, insigne leitor. Com mais de 2 metros da altura, a australiana Genyornis newtoni (perseguida, nesta concepção artística, pelo igualmente monstruoso lagarto Megalania prisca, que pesava 1 tonelada) viveu no país-ilha até uns 45 mil anos atrás. E, de fato, parece que a causa do sumiço dela foram os omeletes — ou quiçá o ovo cozido.

Isso porque um novo estudo que analisou as cascas de ovos da espécie, conduzido por Gifford Miller, da Universidade do Colorado em Boulder (EUA), mostrou que, justamente na época da extinção da ave, começam a aparecer fragmentos de cascas com marcas de fogo localizadas, como se alguém tivesse colocado os ovões em fogueiras — o que provavelmente, aliás, foi o que ocorreu. Há hoje um debate grande sobre a extinção de outros animais gigantes da Austrália da Era do Gelo, com gente que acha que a culpa é da chegada dos seres humanos ao continente, enquanto outros culpam as mudanças climáticas. Ao menos no caso dessa super-ave, parece que há um bom motivo para culpar o homem. Para chegar a essa conclusão, Miller e companhia identificaram cascas de ovos da espécie queimadas em mais de 200 sítios espalhados pela Austrália.

A pesquisa saiu na revista científica “Nature Communications”. Em tempo: cada ovo pesava cerca de 1,5 kg.

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