Controvérsia parabólica

Por Reinaldo José Lopes

Sou um grande fã da série de livros “Um Judeu Marginal”, do historiador e padre americano John P. Meier — uma exploração monumental dos dados historicamente confiáveis a respeito do homem Jesus de Nazaré, em contraposição ao Cristo da fé (tá aqui um post recente sobre a série, aliás). Bem, saiu não faz muito tempo o QUINTO volume da série (e cada um dos volumes é um calhamaço, acredite), dedicado apenas às parábolas de Jesus. Estou lendo o troço, com o prazer usual, mas qual não foi minha surpresa ao descobrir que a parábola do Bom Samaritano, provavelmente a mais amada entre essas historietas alegóricas contadas por Cristo nos Evangelhos, não é historicamente autêntica, ao menos segundo Meier?

O resumo da ópera é que a parábola do Bom Samaritano é tão marcada pelos interesses literários e ideológicos do evangelista Lucas — que dava uma ênfase especial à misericórdia, à inclusão e às etnias “não judaicas”, como os samaritanos –, que provavelmente ela teria sido composta por Lucas, e não pelo próprio Jesus.

Aliás, a lista de parábolas consideradas 100% autênticas (no sentido de terem sido elaboradas mesmo por Jesus) segundo Meier é curtíssima: inclui apenas a da semente de mostarda, a do grande banquete e a dos talentos. Trarei mais detalhes sobre a argumentação do pesquisador conforme avançar na leitura. Fiquem ligados!

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