As quatro girafas

Por Reinaldo José Lopes

“As quatro girafas” parece até título de história folclórica africana, mas é um fato científico, gentil leitor. Um novo estudo genético mostrou que existem nada menos que quatro espécies diferentes de girafas na África, a despeito do fato de elas parecerem quase iguais aos nossos olhos. Quando se examina o DNA, os bichos são tão diferentes entre si quanto um urso-polar difere de um urso-pardo, por exemplo.

A conclusão está numa pesquisa que acaba de sair na revista científica “Current Biology”, coordenada por Axel Janke, da Universidade Goethe (Alemanha) e do Centro Seckenberg de Pesquisa em Biodiversidade e Clima. Janke e seus colegas analisaram o DNA extraído durante biópsias da pele de quase 200 girafas diferentes espalhadas pelo continente africano, examinando tanto a linhagem materna quanto a paterna dos bichos.

O resultado, segundo os cientistas, é que faz muito mais sentido evolutivo dividir as girafas num quarteto de espécies. São elas:

1)Girafa-do-norte (Giraffa camelopardalis) — como o nome indica, é a versão do bicho do norte da África, incluindo aí a chamada girafa-núbia, do Sudão; foi a primeira variante da espécie a ser descrita pelos cientistas, então ela herda o nome científico original de todas as girafas;

Girafa-núbia pensando na vida em meio ao capim alto. (Crédito: Julian Fennessy/Divulgação)
Girafa-núbia pensando na vida em meio ao capim alto. (Crédito: Julian Fennessy/Divulgação)

2)Girafa-do-sul (Giraffa giraffa) — ela ocorre, você adivinhou, na África do Sul, e também em Angola;

3)Girafa-masai (Giraffa tippelskirchi) — típica da Tanzânia;

4)Girafa-reticulada (Giraffa reticulata) — mais comum no Quênia.

Girafa-reticulada no Quênia. Você obviamente sacou na hora a diferença entre ela e a girafa-do-norte. Né? (Crédito: Julian Fennessy/Divulgação)
Girafa-reticulada no Quênia. Você obviamente sacou na hora a diferença entre ela e a girafa-do-norte. Né? (Crédito: Julian Fennessy/Divulgação)

A diferenciação genética entre os bichos é um dos argumentos para a reclassificação como espécie distinta. Outro, igualmente importante, é o relativo isolamento entre os grupos — apesar de serem bichos que viajam bastante, até pelas patas imensas, há sinais bastante claros de que as espécies não estão cruzando entre si.

As implicações da descoberta não são só científicas. Conhecer a diversidade genética ajuda a saber qual grupo tem prioridade na preservação — as girafas-do-norte, por exemplo, hoje são muito raras, com menos de 5.000 indivíduos na natureza.

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