Cruz ou martelo, freguesia?

Por Reinaldo José Lopes

Onde alguns enxergam um conflito épico entre cristianismo e paganismo, outros veem uma oportunidade de faturar uma graninha. Ao menos é isso o que parece ter passado pela cabeça de um ourives do século 10 d.C. que vivia em Trengarden, atual Dinamarca.

Na imagem acima, vemos um molde feito de pedra-sabão usado para fabricar pingentes (provavelmente de prata). O curioso aqui é a função dupla do molde: nas pontas, dá para fabricar pequenas cruzes, enquanto no meio o objeto que sai das mãos dos ourives é uma versão em miniatura do Mjölnir, o martelo do deus escandinavo Thor.

O molde com a cruz e o martelo (Crédito: Reprodução)
O molde com a cruz e o martelo (Crédito: Reprodução)

Não é por acaso, claro, que esse artefato curiosíssimo seja fruto da época em que missionários cristãos estavam convertendo os habitantes da Escandinávia ao catolicismo. Esse processo teve elementos de conversão pacífica, alianças políticas e conflitos armados, mas o que realmente chama a atenção é a versatilidade, quase o “empreendedorismo”, do sujeito que pensou em forjar as cruzes e os martelinhos juntos.

A propósito, o uso dos martelos de Thor como pingentes, no estilo dos crucifixos atuais, parece ter se intensificado na época do avanço missionário cristão, de maneira que, paradoxalmente, o costume católico pode ter influenciado um “plágio” pagão como forma de resistência cultural.

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