A lição de Hans, o Esperto

Por Reinaldo José Lopes

Crianças, vou lhes contar a história de um cavalo chamado Hans, uma celebridade — no mau sentido — dos estudos sobre inteligência animal. Olha ele aí em cima.

Hans, o Esperto — em alemão, “der Kluge Hans” — viveu na Alemanha do começo do século 20. Seu dono, o professor de matemática Wilhelm von Osten, dizia ter treinado o bicho para, entre outras coisas, somar, subtrair, multiplicar, dividir, lidar com frações, dizer as horas, ter noções do calendário humano, entender a diferença entre tons musicais, ler, soletrar e entender alemão.

Coisa de louco, certo? Pois Hans parecia mesmo ser capaz de realizar todas essas proezas ao “responder”, com batidinhas de casco, as perguntas que seu dono lhe fazia. Exemplo: “Se o oitavo dia do mês cai numa terça-feira, qual é a data da sexta-feira seguinte?”. Hans, todo bonitinho, ia lá e batia a pata no chão 11 vezes, dando a resposta correta.

Infelizmente, alguns incrédulos entraram em ação, entre eles o psicólogo Carl Stumpf. Ele e um comitê de especialistas determinaram que não havia truque ou sacanagem na história, mas perceberam que Hans só conseguia dar uma resposta correta quando seu dono (ou outra pessoa que lhe fizesse perguntas) também sabia a resposta. O que acontecia é que, conforme o equino ia batendo o casco e chegando perto do número certo, quem estava fazendo a pergunta inconscientemente mudava ligeiramente sua postura e expressão facial, o que permitia ao cavalo sacar que estava na hora de terminar sua “resposta”, parando de bater a pata.

Será que a moral da história é que cavalos e pessoas são altamente propensos ao autoengao? Talvez, mas o etólogo (especialista em comportamento animal) Frans de Waal tem uma opinião muito mais otimista sobre o tema.

De Waal aponta a incrível capacidade de Hans de captar os mais sutis sinais inconscientes dos humanos ao seu redor para dar suas respostas, ainda que sem entendê-las. Uma espécie totalmente diferente da nossa é capaz de “ler a nossa mente”, portanto. Hans podia não ser capaz de fazer contas, mas seu comportamento é prova de uma inteligência animal bem superior à que costumamos admitir como plausível, adverte o pesquisador.

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