Dinos em polvorosa

Por Reinaldo José Lopes

Já faz um tempo considerável que saiu uma nova, bombástica e polêmica proposta cujo objetivo é reorganizar totalmente a árvore genealógica dos dinossauros, num artigo na revista “Nature”. Escrevi sobre ela para o site desta Folha, mas fiquei com a sensação de ainda ter ficado devendo aos leitores do blog um pouco mais de destaque ao tema, que é muito legal.

Por isso, compartilho convosco abaixo a íntegra dos comentários da paleontóloga Taissa Rodrigues, da Universidade Federal do Espírito Santo, que leu a pesquisa britânica original a meu pedido e fez um resuminho bacana do que está em jogo. Confiram abaixo. Para uma discussão alentada sobre o tema, tem ainda está simpática reportagem na revista Pesquisa Fapesp. Enquanto isso, fiquem com a Taissa!

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“Este é um artigo extremamente relevante. Com sua grande diversidade e seu enorme apelo popular, os dinossauros são os vertebrados fósseis mais conhecidos do mundo. Claro, descobertas de fósseis extremamente bem conservados têm mudado nossa visão a respeito de sua aparência, comportamento e evolução, como conversamos anteriormente sobre o Kulindadromeus e o Yi qi. Mas aqui temos uma situação diferente. Os autores estudaram dinossauros e dinossauromorfos [formas aparenteadas mais primitivas] que já eram conhecidos e descritos (alguns deles com fósseis incompletos, e não tão bem preservados como os famosos dinossauros da China), e a partir deles fizeram uma revisão que contesta 150 anos de conhecimento sobre a evolução dos dinossauros. Este é um dos raros casos de trabalhos que sairão das páginas das revistas científicas e entrarão nos livros escolares.

Como os autores explicam, desde 1887 os dinossauros são divididos em dois grupos, Saurischia e Ornithischia. Saurischia é bem interessante por possuir dois grupos com morfologias muito díspares: os saurópodos incluem aqueles animais que eram grandes, quadrúpedes, herbívoros de pescoço longo; enquanto os terópodos incluíam em sua maioria animais bípedes e carnívoros, como o T. rex. Já os ornitísquios incluem formas como o Triceratops. Todos prontamente distintos.

Porém, estes animais mais conhecidos são aqueles provenientes do Cretáceo, que é a derradeira parte do Mesozoico. Estas formas surgiram ao longo de milhões de anos de evolução e de adaptação, e por isso não são as mais indicadas se queremos analisar, por exemplo, a origem do grupo. Aqui entra um diferencial importante do trabalho: foram analisados os dinossauros mais antigos, com um enfoque especial naqueles provenientes do final do Triássico e do início do Jurássico. E aqui entraram em cena vários dinossauros brasileiros, que foram chave para realizar esta análise: Staurikosaurus, Saturnalia, Pampadromaeus, Guaibasaurus, Unaysaurus.

Os resultados são surpreendentes: os dinossauros terópodos são mais próximos aos ornitísquios do que aos saurópodos. E este resultado possui um apoio bem sólido, com base em 21 características únicas, além de um punhado de outras que ajudam a consolidar esta nova visão da árvore dos dinossauros.

E isso, ao mesmo tempo em que explica muito do que conhecemos sobre os dinossauros (por exemplo, tanto ornitísquios como terópodos têm coberturas epidérmicas filamentosas, mas os saurópodos não), também muda alguns pontos sobre a evolução do grupo. Por exemplo, a América do Sul perdeu o “título” de berço dos dinossauros, que agora passam a ter uma provável origem no supercontinente Laurásia [o que engloba Europa e América do Norte].”

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