Vaticano deve reabilitar padre evolucionista

Por Reinaldo José Lopes

Temos duas coisas interessantes sobre a interface entre teoria da evolução e religião no front católico pintando por aí – não por acaso, seguindo na esteira de mais um aniversário da publicação do clássico “A Origem das Espécies”, de Darwin (publicado originalmente em 24 de novembro de 1859).

A primeira tem a ver com a obra de Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), um jesuíta francês que também foi paleontólogo e realizou uma série de estudos pioneiros sobre evolução humana na China, inclusive estudando exemplares de ancestrais do homem que hoje classificamos como membros da espécie Homo erectus.

Desde os anos 1960, as obras de Chardin estão marcadas com um “monitum”, ou advertência, da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável pela pureza doutrinária do catolicismo. O que acontece é que diversos livros do religioso, que analisam o fenômeno evolutivo por um prisma teológico e religioso, fazem uma espécie de fusão ousada do cristianismo com o evolucionismo, o que deixou parte da Igreja Católica contrariada.

Pois bem: os membros do Conselho Pontifício para a Cultura, outro importante dicastério (grosso modo, “ministério”) do Vaticano, acabaram de votar em peso em favor do fim do “monitum”, ou seja, de uma espécie de reabilitação do pensamento de Chardin. É de se esperar que o papa Francisco siga a recomendação porque fez uma menção elogiosa ao trabalho de seu colega jesuíta em sua encíclica ambiental, a “Laudato Si’”.

Segunda coisa: já está em pré-venda um novo livro do biólogo Kenneth R. Miller, professor da Universidade Brown (EUA) e uma das testemunhas-chave no julgamento que barrou o ensino do design inteligente (a versão repaginada do criacionismo) em escolas públicas americanas na década passada.

Além de um grande defensor da teoria da evolução, Miller também é católico praticante. E seu novo livro se chama “The Human Instinct: How We Evolved to Have Reason, Consciusness and Free Will” (“O Instinto Humano: Como Evoluímos para Possuir Razão, Consciência e Livre-Arbítrio”). Os primeiros resumos do livro o descrevem como um antídoto contra a ideia de que não há nada de único ou grandioso na trajetória humana revelada pela evolução. Parece interessante.

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