Bonobos preferem valentões, afirma estudo americano

Por Reinaldo José Lopes

A fama de bonzinhos dos bonobos ou chimpanzés-pigmeus (Pan paniscus) talvez seja meio exagerada, afinal de contas. Experimentos feitos por pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, indicam que eles preferem interagir com valentões, e não com sujeitos bonzinhos, como é o caso da maioria dos seres humanos normais.

Os dados, publicados por Christopher Krupenye e Brian Hare na revista científica “Current Biology”, surpreendem porque a vida social dos bonobos parece muito mais tranquila que a de chimpanzés-comuns ou mesmo a de seres humanos, com tensões em geral resolvidas por meio do sexo. Krupenye e Hare, porém, resolveram aplicar aos grandes macacos um experimento já famoso no caso de estudos com bebês humanos: desenhos animados em que aparecem personagens “bonzinhos” e “malvados”.

Nesse tipo de desenho animado, um personagem em dificuldades (tentando carregar um objeto pesado, digamos) encontra dois outros sujeitos, um que tenta ajudá-lo e outro que o atrapalha. Depois, bonecos dessas personagens são apresentados aos “voluntários” do experimento que estavam assistindo (crianças ou bonobos). As crianças normalmente preferem interagir com o personagem “bonzinho”, mas a surpresa foi que os bonobos em geral parecem gostar da figura que atrapalhava o outro personagem.

Essa tendência foi confirmada quando os cientistas encenaram um teatrinho com os mesmos elementos do desenho animado. Nessa situação, os macacos também preferiram receber comida das mãos do “ator” (um dos cientistas) que era desrespeitoso com o outro sujeito da história.

Uma possível explicação para esse padrão, segundo os pesquisadores, é que os bonobos interpretam que os grosseirões são indivíduos dominantes de seu grupo e, por isso, tendem a preferi-los para não correr o risco de também ser maltratados. Tá caindo o mito dos macacos hippies, minha gente.

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