Darwin e Deus

Um blog sobre teoria da evolução, ciência, religião e a terra de ninguém entre elas

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Blog aborda os mais recentes estudos sobre a evolução do homem e dos demais seres vivos, explica o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da fé e a história das religiões. É produzido pelo jornalista Reinaldo José Lopes.

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Primo da Semana: macaco-prego-galego

Por Reinaldo José Lopes

Mais um domingo está terminando, o que significa que é hora de mais um primo dar as caras aqui no blog. Calorosas boas-vindas ao macaco-prego-galego (Cebus flavius), uma criatura simpaticíssima, endêmica (ou seja, exclusiva) da mata atlântica nordestina e que passou um tempão como “espécie-fantasma”, digamos.

Macaco-prego-galego, redescoberto no Nordeste

 

A questão é a seguinte, nobre leitor: os primeiros relatos sobre a criatura, incluindo desenhos bonitos, embora não muito precisos do ponto de vista anatômico, foram feitos por naturalistas da era colonial, Georg Marcgrave (em 1648) e Johann Christian Daniel von Schreber (em 1774). O nome proposto originalmente foi o de Simia flavia, mas nenhum exemplar do bicho foi devidamente registrado num museu, o que colocou em dúvida a existência do primata.

Corta para muito perto do nosso presente, em 2006, quando dois grupos independentes — e rivais — de primatólogos brasileiros finalmente conseguiram capturar, fotografar e examinar exemplares do macaco nordestino. Adaptando o nome original à nomenclatura zoológica moderna, o bicho passou a ser chamado de Cebus flavius, o nome de espécie sendo “louro” ou “fulvo” em latim — ou, bem nordestinamente, “galego”. Com populações pequenas espalhadas em fragmentos muito judiados de mata, trata-se de espécie classificada como criticamente ameaçada na Lista Vermelha mundial, principal catálogo de criaturas sob risco de extinção no planeta.

Assim como outras espécies de macaco-prego, tudo indica que se trata de uma criatura muito inteligente e capaz, por exemplo, de usar instrumentos. Um estudo a esse respeito realizado em Mamanguape (PB) por uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco mostrou que, tal qual alguns grupos de chimpanzés, eles usam pequenos galhos para capturar cupins. A técnica: primeiro os macacos dão tapas no cupinzeiro, atiçando os cupins; depois pegam os galhos, enfiam-nos no ninho de insetos e dão uma giradinha. O galho é retirado cheio de cupins que o mordiscam. E o almoço está servido.

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